• Mario Eduardo Garcia

Um copo de cólera

Artigo publicado há três dias no site da revista The New Yorker focaliza o escritor brasileiro Raduan Nassar. O título é expressivo: “Why Brazil’s greatest writer stopped writing”.


A leitura do artigo foi para mim uma embaraçosa mas fascinante revelação. Concentrado durante décadas no trabalho profissional, o nome desse autor era apenas uma vaga lembrança na memória, sem qualquer destaque e nunca lido. Trevas constrangedoras, revelação promissora.


Toda a sua produção data da década de 1970!! Depois disso afastou-se da literatura. Agora Raduan parece ter sido redescoberto também por admiradores letrados. Pouco depois de completar 80 anos vence o Prêmio Camões de 2016, a mais importante láurea anual da lingua portuguesa. E sua novela “Um copo de cólera” qualificou-se junto com mais doze obras de vários países na “long list” do The Man Booker International Prize 2016.


O Prêmio Camões, patrocinado por Brasil e Portugal, contempla autores pela contribuição para o enriquecimento do patrimônio cultural da nosso idioma comum. O significado da homenagem é único porque o conjunto da obra de Raduan além de remoto é minúsculo, limitando-se a um romance, uma novela (e que novela...) e um livro de contos.


Nestes dias li “Um copo...”. Apesar do estilo inusitado e do texto denso e contundente a leitura flui muito bem, se feita com o vagar necessário para saborear cada linha de uma narrativa primorosa. Estou ansioso para ler o seu único romance, “Lavoura Arcaica”.

Crédito da imagem: Ben Kirchner / The New Yorker


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