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Tendo atuado na área de engenharia consultiva por muitos anos, vinte dos quais participando da direção de grandes firmas projetistas de empreendimentos de infraestrutura, acostumei-me com a noção, herdada de meus sábios antecessores, de que os funcionários eram, como de fato foram, o mais importante ativo das empresas.

 

Precisávamos de profissionais bem formados, em suas especializações, nas várias áreas de projeto, sempre atualizados, no estado da arte das tecnologias; capazes de trabalhar por processos, de forma a correlacionar com precisão e segurança produtos conexos elaborados simultaneamente por equipes de diferentes disciplinas técnicas; habilitados para cumprir prazos e observar custos e para coordenar o trabalho de grupos auxiliares, de suporte técnico e administrativo. Em resumo, precisávamos de competência técnica e de um delicado e preciso teamworking.

 

Estivemos sempre conscientes de que as empresas não atingiriam esses padrões operacionais sem o  decidido engajamento dos seus funcionários, desde os mais qualificados especialistas até os colaboradores das tarefas mais simples, nem por isso menos dignas. E que esse envolvimento, esse “vestir a camisa”, não é algo que se obtenha apenas pagando um salário justo. É preciso muito mais do que isso. Estamos falando de pessoas e não de mercadoria inerte. É preciso alinhar a perspectiva da empresa e o plano de vida das pessoas, em tudo o que for possível. Elas precisam ter uma idéia de sua futura carreira na organização, ter suas opiniões ouvidas, desfrutar de um ambiente de trabalho saudável, ganhar com o melhor conhecimento de seus chefes e companheiros de serviço. Tudo isso leva tempo, consome esforço mas tem retorno empresarial multiplicado e, tão importante quanto, faz da organização um ente difusor de promoção humana.

 

Não foi fácil praticar esse ditames naquelas duas décadas. Nossas limitações como gestores pesaram um tanto, mas pesaram muito mais as atrozes vicissitudes da economia, oscilando fortemente entre épocas de extrema euforia e de quedas profundas na depressão. Em empresas de serviço onde não se pode “estocar” produção não vendida, não há como, a duras penas, acomodar os altos e baixos sem sacrificar pessoas. Não obstante esses percalços em nossa experiência constatamos que mesmo nessas crises a identidade empresarial e seus valores podem ser preservados, em sua essência. Tal resultado, obviamente, em contingências extremas não é alcançável, pois pressões muito agudas podem até aniquilar uma empresa.

 

Ao longo daqueles anos certos aspectos da legislação trabalhista já estavam esclerosados e traziam dificuldades à gestão. Mas não eram nem de longe a causa dos problemas principais. É preciso cuidado com o diagnóstico. Tivéssemos um desempenho macroeconômico não tão irregular, tivéssemos governo apoiando e empresas praticando um consistente esforço de desenvolvimento e/ou absorção tecnológica e as agruras derivadas da CLT pouco pesariam. E a produtividade muito se elevaria.

É a partir dessa experiência pessoal que vemos com preocupação a chamada lei da terceirização. Fundada em diagnóstico duvidoso a lei parece vislumbrar a empresa não como o organismo vivo que é, mas como u'a máquina em que você injeta dinheiro em uma ponta e tira produtos na outra, podendo trocar componentes à vontade, seja para variar a especificação dos produtos, seja para aumentar ou diminuir a sua quantidade, em função das demandas do mercado.

 

Sei que a esclerose, o custo e a burocracia da legislação trabalhista hoje são mais pesados. Mas se quisermos resolver isso transformando os aportes de trabalho em peças descartáveis os riscos serão imprevisíveis.

O título desta postagem foi copiado do de um artigo sobre o mesmo tema, de autoria do jornalista Flavio Tavares, publicado ontem no Estadao e que pode ser encontrado aqui, neste site. Recomendamos vivamente a sua leitura ( aprox 5 minutos). 

 

 

Crédito da imagem: Cortesia Wix

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